Depois da recente estreia da paulista Sara Winter, de 20 anos, no Femen – grupo internacional de feministas que começou na Ucrânia, em 2008, e ficou famoso por suas integrantes lutarem seminuas pelos direitos das mulheres –, agora é a vez de outras duas jovens brasileiras se juntarem ao movimento.
A estudante de direito paulistana Bruna Themis, de 21 anos, entrou para o Femen há três semanas e já fez seu protesto inaugural, no dia 29 de julho, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), a favor da descriminalização do aborto e de melhorias na saúde pública.
Ao contrário de Bruna, que não passou por nenhuma "prova de fogo" antes de expor os seios pela primeira vez, a nova candidata a militante do Femen Brazil, a estudante de gastronomia paulistana Lari Bärin, de 22 anos, foi testada na noite deste sábado (11) em uma pequena e sossegada rua do bairro Bela Vista, região central de São Paulo.
"Na hora, não fiquei nervosa, foi de boa. De manhã, eu estava mais tensa. Só não sabia o que fazer quando os caras passaram. Tive vontade de retrucar, mas me segurei", disse Lari, apelido de Larissa.
Ela, que estudou em colégio alemão e adotou o nome Bärin ("urso", no idioma), acabou escolhendo a Rua dos Alemães por acaso, por estar vazia naquele horário – algo totalmente oposto ao que deve encontrar pela frente nas manifestações. Entre os temas já levantados nos mais de 30 países onde o Femen está presente estão o turismo e a exploração sexuais, a sociedade patriarcal, o machismo, a prostituição, a homofobia e o preconceito racial.
A tranquilidade do "ritual de iniciação" foi quebrada por duas vezes, quando o mesmo carro cheio de homens, ouvindo funk no volume máximo, passou e depois voltou para ofender Lari.
"A gente não pode reagir, para não perder a razão. Quando a polícia chega e parte para cima, aí tentamos nos livrar", explicou Sara. O sobrenome de batismo, italiano, ela trocou pelo inglês Winter, para se parecer com a cantora e vionilista americana Emilie Autumn, de quem é fã. Já Bruna escolheu Themis por causa da deusa grega da Justiça.
Com a presença e o apoio das amigas – a quem conheceu pessoalmente há apenas três semanas, Lari se sentiu mais calma para fazer topless. Antes de fazer pose, ficar séria e com a cabeça levantada, as colegas escreveram "Go Femen BR" no corpo dela, puseram uma tiara de flores e elogiaram os seios dela.
Esse arco ao redor da cabeça, como explica Sara, é usado também pelas ativistas ucranianas, por ter sido no passado um símbolo de pureza e virgindade. Hoje, virou "arma de combate". "A gente que faz. Mas as flores estão tão caras, fui lá na 25 de Março comprar. Tem menina já ligando para saber onde tem. Hoje é a gente que faz, acho que no começo do Femen na Ucrânia também era assim. Agora elas têm um fornecedor", disse Bruna.
Passados apenas alguns minutos de "intervenção" seminua, Lari se vestiu e as três comemoraram o "batismo" da novata. Logo perceberam que havia uma câmera de segurança na entrada do prédio onde pararam, posicionada diretamente para a menina seminua. "O porteiro deve ter visto tudo", disse Sara. As três riram e foram embora.
Novas integrantes
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".
Sara também criou uma página no Facebook e agora recruta jovens como ela e as duas amigas que queiram levantar essa bandeira. A paulista contou que já há "processos seletivos" em andamento em vários estados do Brasil, com interessadas em Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Maranhão.
"Queremos o Brasil inteiro, não vamos parar de fazer essas avaliações. Quanto mais, melhor. Quero que as meninas do Nordeste se manifestem mais, porque lá é o berço do turismo sexual de crianças e adolescentes", destacou.
Para participar do Femen, Sara disse que a mulher precisa ser corajosa, ter disponibilidade e vontade de lutar. Também deve estar preparada para enfrentar a família e os amigos. Este último item foi, por exemplo, o que mais pesou para a primeira menina que passou pela iniciação antes de Lari. Por receio da reação do pai, ela acabou desistindo.
"Meus pais já sabem e foi muito ruim. Não apoiaram, não curtiram", revelou a estudante de gastronomia, que é filha única.
As jovens que se entusiasmarem com a ideia não precisam ficar preocupadas em serem bonitas ou terem um corpo atraente, segundo Sara. Essa é uma característica que tem sido o padrão das ativistas do Femen pelo mundo, mas a paulista disse que não é um critério fundamental para ser admitida.
"A ideia é concentrar a coordenação do grupo aqui em São Paulo. Mas pretendo ir uma vez para cada um desses núcleos para ensinar tudo o que as ucranianas me passaram. Isso inclui como se organizar, escolher tópicos de protesto e se preparar para enfrentar a polícia", enumerou Sara.
A primeira fase da escolha é mandar uma foto de topless para ela e passar por uma espécie de entrevista virtual, pelo Facebook ou Skype. Assim que a candidata for aprovada, é marcado um dia para a estreia.
"Isso serve para a menina ver como se comporta com todo mundo vendo, ter um feedback do próprio corpo. É um protesto individual, ou 'monoprotest', como a gente chama", disse Sara. O ideal é que a iniciante segure um cartaz com algum tema, mas Lari fez sem, porque as outras duas meninas esqueceram.
Nesta terça-feira (14), mais uma interessada em entrar para o grupo, Luma Oliveira, de 20 anos, deve passar por sua "prova de fogo".
Perfil das ativistas brasileiras
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
Bruna e Sara gostam de se maquiar; Lari, não – mas abriu uma exceção para sua estreia e apareceu com sombra, base e blush. "Muitos grupos a quem contatamos têm preconceito conosco, porque acham que só somos mulheres bonitas que apóiam o sexismo. Mas nos arrumamos para nós mesmas também, não para atrair homens", destacou Sara.
Outra coisa que varia entre as ativistas é a opção sexual. Segundo Sara, pelo fato de muitas militantes na Ucrânia, por exemplo, serem contra o que os homens fazem com as mulheres, acabam virando bissexuais ou lésbicas.
Futuras ações
Para quarta-feira (15), por volta das 14h, o trio do Femen Brazil está organizando um protesto em frente ao Consulado da Rússia, próximo ao Joquey Club, na Zona Oeste de São Paulo.
Para quarta-feira (15), por volta das 14h, o trio do Femen Brazil está organizando um protesto em frente ao Consulado da Rússia, próximo ao Joquey Club, na Zona Oeste de São Paulo.
As jovens querem criticar o julgamento de três cantoras russas da banda punk Pussy Riot, acusadas de vandalismo por causa de uma música intitulada "Maria, mãe de Deus, tire Putin", contra o presidente Vladimir Putin. O veredito sobre a prisão ou não delas deve sair na sexta-feira (17).
"Estamos fazendo contato com grupos punks, skinheads antifascistas, anarcofeministas, afrofeministas e outros coletivos para se juntarem a nós", disse Sara.
Elas já estão ensaiando o que dizer nessa data, em russo. Cada uma deve representar uma das cantoras julgadas, Nadejda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevish. Elas querem falar: "Eu sou Nadejda, eu sou Maria, eu sou Yekaterina. Liberdade à Pussy Riot!".
"Particularmente, nem gosto do som da banda, acho as meninas ruins, mas vamos protestar contra essa atitude do governo russo. As ucranianas não se envolveram nisso, porque estão focadas nas Olimpíadas", explicou Sara.
Viagem à Ucrânia
Em junho, Sara viajou pela primeira vez para fora do Brasil, para conhecer as colegas do Femen na Ucrânia. Voou até Varsóvia, na Polônia, por ser mais barato, e de lá pegou um trem, do qual foi expulsa por estar sem passagem.
Em junho, Sara viajou pela primeira vez para fora do Brasil, para conhecer as colegas do Femen na Ucrânia. Voou até Varsóvia, na Polônia, por ser mais barato, e de lá pegou um trem, do qual foi expulsa por estar sem passagem.
O jeito, então, foi arriscar uma carona de carro até Kiev, com dois jovens desconhecidos que estavam indo acompanhar a Eurocopa. O veículo acabou quebrando duas vezes na estrada, e o percurso de 12 horas levou quase o dobro.
"Não queriam me dar o visto para eu cruzar a fronteira, porque não entendiam o que uma brasileira estava fazendo lá. Aí falei Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Pelé. A hora em que eu disse Pelé, pronto, o cara pensou: 'É lógico'. Preciso agradecer a cada um desses jogadores", brincou Sara, que ficou duas semanas no país e acabou sendo detida por quatro horas durante um protesto na Eurocopa.
"A Ucrânia e a Polônia estavam incentivando abertamente o turismo sexual. Em um mapa que vi em Varsóvia, havia vários endereços de bordéis", lembrou Sara, cuja ida foi coberta em parte pelo Femen (que doou US$ 1 mil), por contribuições no Facebook e por ela mesma.
Além das ativistas, o grupo internacional tem o apoio de cerca de 500 voluntários, entre designers, jornalistas, fotógrafos, assessores de imprensa e advogados, diz a paulista, que compara os ucranianos com os brasileiros. "Eles são tão acomodados quanto nós. Mas também são receptivos, só não tanto quanto a gente", ressaltou.
Depois da recente estreia da paulista Sara Winter, de 20 anos, no Femen – grupo internacional de feministas que começou na Ucrânia, em 2008, e ficou famoso por suas integrantes lutarem seminuas pelos direitos das mulheres –, agora é a vez de outras duas jovens brasileiras se juntarem ao movimento.
A estudante de direito paulistana Bruna Themis, de 21 anos, entrou para o Femen há três semanas e já fez seu protesto inaugural, no dia 29 de julho, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), a favor da descriminalização do aborto e de melhorias na saúde pública.
Ao contrário de Bruna, que não passou por nenhuma "prova de fogo" antes de expor os seios pela primeira vez, a nova candidata a militante do Femen Brazil, a estudante de gastronomia paulistana Lari Bärin, de 22 anos, foi testada na noite deste sábado (11) em uma pequena e sossegada rua do bairro Bela Vista, região central de São Paulo.
"Na hora, não fiquei nervosa, foi de boa. De manhã, eu estava mais tensa. Só não sabia o que fazer quando os caras passaram. Tive vontade de retrucar, mas me segurei", disse Lari, apelido de Larissa.
Ela, que estudou em colégio alemão e adotou o nome Bärin ("urso", no idioma), acabou escolhendo a Rua dos Alemães por acaso, por estar vazia naquele horário – algo totalmente oposto ao que deve encontrar pela frente nas manifestações. Entre os temas já levantados nos mais de 30 países onde o Femen está presente estão o turismo e a exploração sexuais, a sociedade patriarcal, o machismo, a prostituição, a homofobia e o preconceito racial.
A tranquilidade do "ritual de iniciação" foi quebrada por duas vezes, quando o mesmo carro cheio de homens, ouvindo funk no volume máximo, passou e depois voltou para ofender Lari.
"A gente não pode reagir, para não perder a razão. Quando a polícia chega e parte para cima, aí tentamos nos livrar", explicou Sara. O sobrenome de batismo, italiano, ela trocou pelo inglês Winter, para se parecer com a cantora e vionilista americana Emilie Autumn, de quem é fã. Já Bruna escolheu Themis por causa da deusa grega da Justiça.
Com a presença e o apoio das amigas – a quem conheceu pessoalmente há apenas três semanas, Lari se sentiu mais calma para fazer topless. Antes de fazer pose, ficar séria e com a cabeça levantada, as colegas escreveram "Go Femen BR" no corpo dela, puseram uma tiara de flores e elogiaram os seios dela.
Esse arco ao redor da cabeça, como explica Sara, é usado também pelas ativistas ucranianas, por ter sido no passado um símbolo de pureza e virgindade. Hoje, virou "arma de combate". "A gente que faz. Mas as flores estão tão caras, fui lá na 25 de Março comprar. Tem menina já ligando para saber onde tem. Hoje é a gente que faz, acho que no começo do Femen na Ucrânia também era assim. Agora elas têm um fornecedor", disse Bruna.
Passados apenas alguns minutos de "intervenção" seminua, Lari se vestiu e as três comemoraram o "batismo" da novata. Logo perceberam que havia uma câmera de segurança na entrada do prédio onde pararam, posicionada diretamente para a menina seminua. "O porteiro deve ter visto tudo", disse Sara. As três riram e foram embora.
Novas integrantes
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".
Sara também criou uma página no Facebook e agora recruta jovens como ela e as duas amigas que queiram levantar essa bandeira. A paulista contou que já há "processos seletivos" em andamento em vários estados do Brasil, com interessadas em Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Maranhão.
"Queremos o Brasil inteiro, não vamos parar de fazer essas avaliações. Quanto mais, melhor. Quero que as meninas do Nordeste se manifestem mais, porque lá é o berço do turismo sexual de crianças e adolescentes", destacou.
Para participar do Femen, Sara disse que a mulher precisa ser corajosa, ter disponibilidade e vontade de lutar. Também deve estar preparada para enfrentar a família e os amigos. Este último item foi, por exemplo, o que mais pesou para a primeira menina que passou pela iniciação antes de Lari. Por receio da reação do pai, ela acabou desistindo.
"Meus pais já sabem e foi muito ruim. Não apoiaram, não curtiram", revelou a estudante de gastronomia, que é filha única.
As jovens que se entusiasmarem com a ideia não precisam ficar preocupadas em serem bonitas ou terem um corpo atraente, segundo Sara. Essa é uma característica que tem sido o padrão das ativistas do Femen pelo mundo, mas a paulista disse que não é um critério fundamental para ser admitida.
"A ideia é concentrar a coordenação do grupo aqui em São Paulo. Mas pretendo ir uma vez para cada um desses núcleos para ensinar tudo o que as ucranianas me passaram. Isso inclui como se organizar, escolher tópicos de protesto e se preparar para enfrentar a polícia", enumerou Sara.
A primeira fase da escolha é mandar uma foto de topless para ela e passar por uma espécie de entrevista virtual, pelo Facebook ou Skype. Assim que a candidata for aprovada, é marcado um dia para a estreia.
"Isso serve para a menina ver como se comporta com todo mundo vendo, ter um feedback do próprio corpo. É um protesto individual, ou 'monoprotest', como a gente chama", disse Sara. O ideal é que a iniciante segure um cartaz com algum tema, mas Lari fez sem, porque as outras duas meninas esqueceram.
Nesta terça-feira (14), mais uma interessada em entrar para o grupo, Luma Oliveira, de 20 anos, deve passar por sua "prova de fogo".
Perfil das ativistas brasileiras
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
Bruna e Sara gostam de se maquiar; Lari, não – mas abriu uma exceção para sua estreia e apareceu com sombra, base e blush. "Muitos grupos a quem contatamos têm preconceito conosco, porque acham que só somos mulheres bonitas que apóiam o sexismo. Mas nos arrumamos para nós mesmas também, não para atrair homens", destacou Sara.
Outra coisa que varia entre as ativistas é a opção sexual. Segundo Sara, pelo fato de muitas militantes na Ucrânia, por exemplo, serem contra o que os homens fazem com as mulheres, acabam virando bissexuais ou lésbicas.
Futuras ações
Para quarta-feira (15), por volta das 14h, o trio do Femen Brazil está organizando um protesto em frente ao Consulado da Rússia, próximo ao Joquey Club, na Zona Oeste de São Paulo.
Para quarta-feira (15), por volta das 14h, o trio do Femen Brazil está organizando um protesto em frente ao Consulado da Rússia, próximo ao Joquey Club, na Zona Oeste de São Paulo.
As jovens querem criticar o julgamento de três cantoras russas da banda punk Pussy Riot, acusadas de vandalismo por causa de uma música intitulada "Maria, mãe de Deus, tire Putin", contra o presidente Vladimir Putin. O veredito sobre a prisão ou não delas deve sair na sexta-feira (17).
"Estamos fazendo contato com grupos punks, skinheads antifascistas, anarcofeministas, afrofeministas e outros coletivos para se juntarem a nós", disse Sara.
Elas já estão ensaiando o que dizer nessa data, em russo. Cada uma deve representar uma das cantoras julgadas, Nadejda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevish. Elas querem falar: "Eu sou Nadejda, eu sou Maria, eu sou Yekaterina. Liberdade à Pussy Riot!".
"Particularmente, nem gosto do som da banda, acho as meninas ruins, mas vamos protestar contra essa atitude do governo russo. As ucranianas não se envolveram nisso, porque estão focadas nas Olimpíadas", explicou Sara.
Viagem à Ucrânia
Em junho, Sara viajou pela primeira vez para fora do Brasil, para conhecer as colegas do Femen na Ucrânia. Voou até Varsóvia, na Polônia, por ser mais barato, e de lá pegou um trem, do qual foi expulsa por estar sem passagem.
Em junho, Sara viajou pela primeira vez para fora do Brasil, para conhecer as colegas do Femen na Ucrânia. Voou até Varsóvia, na Polônia, por ser mais barato, e de lá pegou um trem, do qual foi expulsa por estar sem passagem.
O jeito, então, foi arriscar uma carona de carro até Kiev, com dois jovens desconhecidos que estavam indo acompanhar a Eurocopa. O veículo acabou quebrando duas vezes na estrada, e o percurso de 12 horas levou quase o dobro.
"Não queriam me dar o visto para eu cruzar a fronteira, porque não entendiam o que uma brasileira estava fazendo lá. Aí falei Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Pelé. A hora em que eu disse Pelé, pronto, o cara pensou: 'É lógico'. Preciso agradecer a cada um desses jogadores", brincou Sara, que ficou duas semanas no país e acabou sendo detida por quatro horas durante um protesto na Eurocopa."A Ucrânia e a Polônia estavam incentivando abertamente o turismo sexual. Em um mapa que vi em Varsóvia, havia vários endereços de bordéis", lembrou Sara, cuja ida foi coberta em parte pelo Femen (que doou US$ 1 mil), por contribuições no Facebook e por ela mesma.
Além das ativistas, o grupo internacional tem o apoio de cerca de 500 voluntários, entre designers, jornalistas, fotógrafos, assessores de imprensa e advogados, diz a paulista, que compara os ucranianos com os brasileiros. "Eles são tão acomodados quanto nós. Mas também são receptivos, só não tanto quanto a gente", ressaltou.
Estudante teve o corpo pintado pela fundadora do
Bruna Themis arruma tiara de flores na cabeça de
Bruna Themis, Lari Bärin e Sara Winter no teste de
Bruna Themis e Sara Winter fazem pose durante a
Lari faz pose para as ativistas mais experientes no
Femen Brazil já tem seu próprio logo, que deve ser
Sara Winter (Foto: Luna D'Alama/G1)
Antes de ficar séria, Lari sorri para as amigas em pose de ativista do Femen Brazil (Foto: Luna D'Alama/G1)
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